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DESCOBERTA NO PATO DE LOUÇA

 

Data: 12/09/2009
Hora: 19:46:50
Publicado por: vander.christian
Publicado na página: biblioteca_ler

 

Edmundo chegou ao cativeiro e após explicar que o tiro acertara Tico em cheio para Viviane, eles pegaram Marcio e colocaram dentro da saveiro.
-Pode ter certeza Edmundo, - disse Viviane olhando dentro dos olhos de Edmundo – que hoje a herança de setecentos mil reais virá para as minhas mãos. – Chegou mais perto de Edmundo. – E você estará fora da minha vida!
E empurrou Edmundo. Ele havia sido pego de surpresa. Desequilibrou-se e caiu no chão. Tempo que Viviane entrou na saveiro. Deu partida no veículo. Edmundo pensou que ela iria abandona – lo, mas de repente, Viviane fez o “cavalo de pau” e acelerou...
Logo Edmundo entendeu qual era o plano de Viviane. Ficou de pé.
A saveiro ganhou velocidade... Edmundo se jogou no exato momento que as quatro rodas da saveiro passou no local onde segundos atrás ele estivera caído. Viviane manobrou a saveiro de novo. Passou por Edmundo em alta velocidade ainda de ré e freou. Ao contrario do que Edmundo pensou dessa vez Viviane não tentou atropelar ele. Retomou a ré e com a pistola disparou uma, duas, três disparos. Edmundo cambaleou... Viviane efetuou mais três disparos – Edmundo tombou completamente morto.
Totalmente satisfeita, Viviane seguiu a toda na direção oposta em que Horacio vinha com a sua equipe.




A ambulância estava parada perto da cerca. Mais ou menos uma hora antes, Tico estava trancando o cadeado na bicicleta enquanto explicava para Rogério sobre a palestra de Aquecimento Global em uma Universidade.
Roberta, Tadeu, Milena e Simone entenderam o que tinha acontecido antes mesmo de chegarem perto. Rogério carregara Tico até a saída da mata só para não deixar o corpo exposto aos inúmeros mosquitos que havia dentro da mata.
Rogério estava de joelhos ao lado do cadáver de Tico. Tadeu pousou a mão no ombro do amigo incapaz de dizer alguma coisa. Simone levou as mãos na boca e abraçou Milena, ambas chorando. Roberta olhou para Tadeu também chorando, não tinha nada pra se fazer, só chorar.
-O que fazer agora? – perguntou Tadeu indo abraçar Roberta.
Para surpresa de todos Danilo disse.
-Chorem, não tenham vergonha disso. Às vezes é preciso que alguém que realmente amamos se vai para darmos valor à vida.
Seguiu – se silêncio a essas palavras. Era como se todos estivessem refletindo as palavras dita por Danilo.
-Ele encontrou o cativeiro Rogério? – perguntou Horacio interrompendo o silêncio.
-Sim – respondeu Rogério com a voz fraca. – Mas acho que será tarde demais.
-Não vai ser! Vamos pega – la! Todos em ação vamos lá!
-Eu também vou!
Horacio encarou Roberta.
-Eu confio em você – acrescentou ela.
-Ótimo, ótimo, vamos depressa! – se entusiasmou Horacio.
-Roberta!
Roberta se virou para Rogério. Ouve um momento de expectativa entre os dois. Roberta com medo de Rogério dizer algo desagradável. Rogério, por sua vez, tinha medo de Roberta dizer que não queria ouvir a sua opinião.
-Tenho certeza que vai dar tudo certo – disse Rogério por fim. Ainda tinha a voz fraca e os olhos vermelhos de chorar. – A Viviane e o Edmundo vão pagar pelo que estão fazendo. E você e o Marcio vão ficar numa boa, pode crer que vai.
Foi um momento bonito. O clima era de tristeza, mas a reconciliação de Roberta e Rogério foi bonita. Roberta abriu um longo sorriso e pulou para os braços de Rogério. Aquela foi a única cena que fez os demais presentes desviarem a atenção de Tico morto no chão.
Tadeu, Milena e Simone voltaram na ambulância que levou o corpo de Tico. Os carros da policia seguiram em busca de Viviane.
A patrulha nem precisou procurar muito. Localizaram o cativeiro e o corpo de Edmundo.
-Ela o matou – disse Roberta sombriamente desviando a atenção do cadáver de Edmundo. Os policiais cobriram o corpo com um saco preto. – Delegado, ela esta completamente louca.
-Sim.
-Por que tudo isso? – continuou Roberta. – Tudo por causa de dinheiro. Tantas pessoas envolvidas...
-Isso prova que você tem verdadeiros amigos Roberta. Não deixaram você sozinha nisso. Só lamento a morte do Tico, ele era muito inteligente.
-Quando eu disse “pessoas envolvidas” delegado, não me referia aos meus amigos. Eu estava dizendo do Caio e Guilherme e até mesmo do Diego e da Rosana, todos querendo os setecentos mil reais.
-Diego e a prima dele tentaram roubar a herança do Marcio?
-Tentaram. Foi no mesmo dia que tirei o dinheiro do cofre para impedir que a Viviane roubasse...
-Ah meu Deus! – exclamou Horacio. Imediatamente deu ordens aos policias para voltar.
-Por que vamos voltar? – interrogou Roberta entrando na viatura.
-Eu acho que sei aonde a Viviane foi!




Diego estava arrumando a bagunça que Guilherme deixou em seu quarto. Pegou o pato de louça e falou:
-Tenho que ver se a Carmem vai querer isso – disse. – Só que antes eu vou tirar esses plásticos daqui de dentro.
Diego ficou pasmo. Aquele pato velho que Rosana disse para Diego jogar fora estava servindo de cofre para a herança de setecentos mil reais.
-Esse dinheiro – falou Diego se levantando com um malote de dinheiro em cada mão – todo esse tempo aqui dentro de casa...
Fernando surgiu na porta do quarto acompanhado de Rosana.
-Diego de onde veio todo esse dinheiro? – Rosana perguntou completamente perplexa.
-Estava aqui Rosana. O tempo todo esse dinheiro estava dentro desse pato de louça.
Rosana se calou. Foi Fernando que disse:
-Por isso invadiram a casa de vocês.
-É a herança do Marcio – declarou Diego. – Eu só não entendo por que ele colocou dentro desse pato de louça e dentro da velha capela.
-Sinto dizer, mas a sua pergunta vai ficar sem resposta.
Na porta do quarto encontrava – se Viviane e Bianca. Ambas com um revolver na mão.
-Você fez um bom trabalho Diego – disse Bianca se adiantando para dentro do quarto.
Diego, Rosana e Fernando recuaram.
-Vamos Diego, coloque o dinheiro dentro dessa mochila – ordenou Viviane.
Nervoso, Diego pegou a mochila e começou a jogar os malotes de dinheiro lá dentro.
-Muito bem. Bianca isso foi mais fácil do que eu pensei.
Bianca sorriu.
-Esse dinheiro não é seu! – contestou Diego. Viviane se aproximou dele.
-Agora ele é meu. O que você vai fazer?
-Chamar a policia!
Viviane deu uma coronhada na cabeça de Diego. Rosana gritou ao mesmo tempo em que Bianca dizia para todos ficarem quietos.
Viviane e Bianca deixaram a casa de Diego. A mochila com o dinheiro foi colocada no banco do passageiro. No banco de trás Marcio permanecia desacordado e com as mãos amarradas.
-Pode guardar a arma Bianca – disse Viviane com um tom inocente. – Não vamos precisar dela por enquanto.
Sem perceber o perigo, Bianca colocou a arma dentro da saveiro. Não demorou a notar que acabara de fazer besteira.
-Receio- falou Viviane se aproximando de Bianca – que não vou precisar mais de sua ajuda.
E empurrou Bianca. A moça tropeçou na guia e caiu sentada no chão.
-Nós temos um trato!- gritou ela fazendo um esforço para se levantar.
Viviane se precipitou para a saveiro. Porem, antes que pudesse chegar ao trinco da porta, Bianca empurrou-a para o chão. Atracaram-se as duas.
Nesse momento, na esquina oposta, surgiu a viatura com Roberta, Horacio e Danilo. Tal visão deu a Viviane mais energia. Livrou-se de Bianca e entrou na saveiro e deu inicio a fuga. A outra viatura parou, desceu três policiais que prenderam Bianca.
A saveiro estava em alta velocidade. Preparava-se agora para fazer a interseção em circulo na Praça de Vila das Arvores. O objetivo de Viviane era rumar para fora da cidade.
O carro da policia vinha logo atrás. A perseguição estava chamando a atenção dos transientes que passavam na rua.
De repente da rodovia que dava para a saída de Vila das Arvores, surgiu o celta que pertencera ao Marcio. O carro impediu que Viviane entrasse na rodovia, pois Guilherme estava atirando. Rapidamente Viviane mudou os planos; teria que fazer novamente a interseção. O celta agora estava atrás da saveiro e na frente do carro da policia.
Viviane acelerou, tinha acabado de entrar na rodovia. Caio tomou o atalho e Danilo continuou sem desviar a atenção do carro a sua frente... Caio entrou nesse momento na rodovia e Guilherme jogou uma bomba caseira pra trás.
-PÁRA ESSE CARRO AGORA! – gritou Horacio. Danilo pisou no freio no exato momento que a bomba explodia. O carro deslizou e parou.
-Vamos ter que voltar! – disse Danilo. Não tinham escolha, teriam que voltar e pegar o atalho que Caio e Guilherme pegou.
E por toda parte pessoas gritavam. Nas janelas surgiam rostos à procura de quem e do que estava fazendo tamanho barulho. Os cachorros latiam sem parar, outros começavam a uivar...
Não restava a menor duvida de que os habitantes de Vila das Arvores jamais esqueceriam aquele dia.
Os três veículos estavam agora na rodovia. Guilherme tentava acabar com o carro da policia disparando varias vezes. Ao seu lado Caio guiava o carro com toda atenção e velocidade. Horacio devolvia os tiros em direção ao celta... Viviane estava concentrada na idéia de despistar Caio e Guilherme e a policia; todo dinheiro estava ali com ela. Não percebeu que Marcio recuperou os sentidos no banco de trás. O rapaz demorou a entender o que estava acontecendo e então avistou: ali, do seu lado uma faca. Com muita dificuldade conseguiu segurar a faca e iniciou a tentativa de se livrar das cordas em suas mãos.
Tinham agora acabado de passar pela ponte onde durante a manhã Roberta havia pagado o resgate para Viviane com dinheiro falso. Nesse ponto da rodovia, a situação mudou. Guilherme agora disparava contra o carro de Viviane. Era muito complicado para ela dirigir e atirar. Começou a fazer zigue – zague na pista. Aquele era um trecho simples e ela ia para a esquerda e voltava para a direita. Os disparos continuaram. Também a batalha de Marcio com as cordas. Na contra – mão veio uma carreta. O motorista, na tentativa de desviar da saveiro, jogou a carreta para o acostamento, mais não conseguiu voltar a pista e se chocou direto com varias arvores.
-Caio – disse Guilherme recarregando a arma – logo ali na frente tem um barranco, você vai ter que jogar a Viviane com o carro e tudo lá!
-Mas o dinheiro esta com ela! – rebateu Caio. O retrovisor direito do celta se espatifou com um tiro disparado por Horacio.
-Isso já não importa mais! Precisamos livrar a nossa pele!
-Esse carro nunca vai conseguir alcançar a saveiro!
-Eu vou dar um jeito!
Se virou e disparou contra a viatura. Agora foi parte do vidro da frente da viatura que se partiu. Horacio revidou junto com Danilo, que dirigia com uma mão e atirava com a outra.
-VAI, ACELERA! – berrou Guilherme. Disparou no pneu da saveiro. Viviane sentiu a velocidade diminuir... Nesse momento Caio trocou a marcha e acelerou.
Marcio continuava tentando se soltar. Estava difícil, por causa dos movimentos do carro.
Caio foi avançando. Tomou a direita abrigando Viviane ir para a esquerda. Roberta, Horacio e Danilo eram meros expectadores daquela disputa que iniciara.
Começando a sentir medo Viviane viu um astra se aproximar. Não podia retornar à direita. Atrás do astra vinha um uno. Viviane continuou firme, o motorista do astra jogou o carro para fora da pista e assim como a carreta não retornou ao asfalto. O motorista do uno também não conseguiu se livrar da saveiro – bateu violentamente no astra e explodiu em seguida.
Dentro de poucos segundos, Caio jogou o celta contra a saveiro. Viviane sabia que não poderia agüentar por muito tempo. Caio novamente jogou o celta contra a saveiro – o abismo estava chegando.
-ACABA LOGO COM ELA!!
-EU ESTOU TENTANDO!
Viviane conseguiu empunhar a pistola com firmeza. Disparou contra o celta – não obteve resultado.
E então Viviane fez algo que provou que ela era um ótimo piloto. Caio se afastou... estava preparando para mais uma batida. Viviane esperou. No momento certo ela freou, trocou de marcha e acelerou para a direita; no exato momento que Marcio conseguiu se livrar das cordas.
-O QUE VOCÊ FEZ?! – berrou Guilherme. Eles haviam passado direto... Saíram da pista. Caio perdeu o controle do carro. – PISA NO FREIO!!
-NÃO ESTA FUNCIONANDO!
O pânico tomou conta dos dois irmãos. Caiu na própria armadilha. Chegaram ao abismo. A primeira pancada acabou com a frente do celta. Caio conseguiu livrar – se do cinto e se jogar pra fora no momento em que veio a segunda pancada. Guilherme não teve a mesma chance, o carro continuou ladeira a baixo. Caio rolou e bateu a cabeça varias vezes nas pedras e até mesmo no chão, antes porem, de perder completamente os sentidos, assistiu o carro explodir com o seu irmão dentro.
-Como dizia a minha mãe, formada em inglês: the and!- disse Viviane satisfeita. Entretanto a sua alegria durou pouco.
Marcio pegou a faca e iria dar um golpe no braço dela. Mas Viviane foi mais rápida; acertou uma cotovelada no nariz de Marcio. Ainda assim, ele conseguiu passar para o banco da frente e agarrou o braço de Viviane com força.
-Pare o carro!
-Me solta!
Saíram da pista. A saveiro ia perigosamente em direção do abismo.
-AH, MEU DEUS, ELES ESTAO INDO EM DIREÇAO AO PRECÍPICIO!!- exclamou Roberta. Danilo também deixou a pista...
Viviane destravou a porta e se jogou. Marcio pressentiu o perigo e se jogou em seguida. A saveiro voou no precipício.
-PÁRA ESSE CARRO AGORA!! – trovejou Horacio. Sem que percebessem, tinham chagado perto do abismo, a intensa vegetação impediu a visão deles. Danilo acionou os freios bem na hora. Horacio saltou pra fora com o revólver na mão.
Viviane estava com a pistola. Marcio tinha a mochila com o dinheiro.
-Se entrega Viviane, você não tem mais onde fugir! – falou o delegado se aproximando cautelosamente da moça. Mais atrás vinha Danilo e Roberta.
-Se afasta delegado, ou eu atiro nele! – disse Viviane com a pistola apontada para o peito de Marcio, que sua vez, falou:
-Se atirar em mim o dinheiro vai se perder lá embaixo – o rapaz estava muito próximo do abismo de modo que se ele soltasse a mochila com certeza cairia no mesmo lugar que a saveiro.
-Me entrega a mochila Marcio!
-Eu não vou entregar, abaixe esse revólver!
-Você não tem saída Viviane. Se entrega logo!
-NÃO! – explodiu Viviane indo à direção de Marcio. – SE VOCÊ NÃO SE AFASTAR, DELEGADO, EU ATIRO NELE!
-Jogue a arma e se entregue Viviane!
-ME ENTREGA A MOCHILA, MARCIO, OU EU ATIRO!
-Você vai morrer antes de apertar o gatilho Viviane. Se entrega logo!
A tensão era grande. Horacio e Danilo apontavam as armas para ela. Viviane mantinha a pistola apontada para o peito de Marcio. E o rapaz ameaçava jogar a mochila no precipício.
Roberta resolveu interferir, sem pensar em nada, se adiantou para onde estava Viviane.
-A sua jornada acabou. É o seu fim Viviane.
-Pode ser Roberta. Mas antes, vou ter o prazer de ver o seu corpo cair como uma boneca feita de trapos bem aqui na minha frente.
E apontou a pistola para Roberta.
-NÃO!!
Foi tudo muito rápido. Marcio gritou “NÃO” e acertou a mochila no rosto de Viviane fazendo – a errar o tiro que acertaria em Roberta. Horacio disparou um tiro – acertou no ombro de Viviane, a pistola caiu de sua mão.
-Vai ser do meu jeito – disse ela tentando demonstrar firmeza.
E todos que ali estavam, assistiram incrédulos e sem reação alguma, Viviane se afastar, abrir os braços e deixar o corpo cair no precipício. Um grito agudo deixou – se ouvir no segundo seguinte àquela cena.
Roberta abraçou Marcio. Estava feliz e triste ao mesmo tempo.
-Calma – disse Marcio dando um beijo na cabeça de Roberta. – Esta tudo bem. Ela se foi.
-Marcio – falou Roberta chorando e encarando o namorado – o Tico também se foi, ele ta morto!
-Como isso aconteceu? – Marcio perguntou emocionado.
-Eu não sei bem direito; foi uma tragédia – a emoção voltou a tomar conta de Roberta. Marcio abraçou – a também emocionado.

 

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