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CAPÍTULO 1: TODA SAGA MORTAL TEM SEU COMEÇO

Publicado por: bruno
Data: 22/07/2010
Hora: 06:54:01
Página: biblioteca_ler
Livro ALAN SÓLEN E OS MISTÉRIOS DO ORÁCULO
Capítulo 0
Leituras: 69

 

Nota do Autor:


E aí? Beleza? Espero que sim!


Bom, depois de um looooooooongo tempo, eu estou de volta! E, aí está o Capítulo 1!


O desafio que coloquei no prólogo ainda está valendo, hem? Quem traduzir o ritual do prólogo, que está em Amazom, vai ganhar um capítulo antes de todo mundo. O desafio vale até o capítulo 7. No capítulo 8, eu coloco a tradução.


E, claro, quem comentar terá o comentário publicado na nota do autor do próximo capítulo e, claro, o comentário será respondido.


Além disso, você pode também mandar no seu comentário um recadinho pra qualquer personagem da história. O recado também será respondido, pelo próprio personagem. Então, cuidado: o personagem vai responder o recado de acordo com o recado e com a personalidade dele e, evidentemente, o autor desta história _ no caso eu _ não se responsabiliza pela resposta do personagem.


Bem, dito tudo, vamos ao capítulo! Divirtam-se!


CAPÍTULO 1

TODA SAGA MORTAL TEM SEU COMEÇO


Alguns de meus leitores podem achar estranho que eu tenha dito ser esta uma história de um garoto chamado Alan Sólen e, no entanto, insisto em contar a história de Lisandra, e não necessariamente a de Alan. A esses leitores, peço que sigam um raciocínio comigo... Bem, vamos lá.
Toda história de uma pessoa não começa nem termina nessa pessoa, mas sim nos seus antecessores e sucessores. A história de uma pessoa começa nos seus pais e irmãos mais velhos e termina nos seus filhos. Por que isso? Ora, é simples! Muito do que somos vem dos nossos pais e daquilo que eles são ou foram e, muito do que nossos filhos são ou serão é exatamente o que somos.
Dessa forma, a história de Alan, tal como todas as demais, começa em outra pessoa: no caso de Alan Sólen, a história dele começa em Lisandra Sólen. Por isso narro insistentemente a vida de Lisandra.
Sobre por que narrarei sobre outros personagens, bem... Toda vida no universo está intimamente relacionada e entrelaçada com outras vidas, mesmo que essa relação não seja vista claramente.
Agora, vamos à história. E, dessa vez, iremos ao ano de 3112 d.C, no mês de Janeiro, em um dia qualquer depois do feriado de primeiro de Janeiro.
Em algum lugar do território onde atualmente se localiza o Brasil, em uma bela e grande casa de três andares, mais especificamente no segundo andar da casa, na sala de televisão, encontramos um garoto baixinho, mestiço, com jeito de menino, olhos azuis e cabelos negros e curtos, chamado Alan Sólen. Ele estava diante da TV, assistindo atentamente a um discurso.
E, no aparelho de TV, via-se a imagem de uma moça alta, forte _ mas delicada _ mestiça também, com olhos azuis e longos cabelos cacheados e negros, dezessete anos de vida e jeito e olhar de uma pessoa sábia, de quem já viveu mais do que qualquer um deveria viver, chamada Lisandra Sólen. Essa garota estava de pé sobre algo similar a um altar, daqueles usados por pastores e padres, olhando para uma multidão e, claro, fazendo um belo discurso.
Aquela jovem, tão moça, mas tão sábia, era, sem dúvida alguma, a pessoa mais importante para Alan. E ele, ali, dentro de sua casa, protegido do mundo, assistia ao discurso daquela figura que era o mais próximo de uma mãe que ele sempre teve.
_ A humanidade já viveu muito _ dizia Lisandra. _ Tivemos muito desenvolvimento, grandes impérios e guerras assustadoras. Tivemos seis grandes guerras mundiais... Tivemos descobertas fenomenais, como a roda, o petróleo, as naves espaciais, formas de ultrapassar a velocidade da luz... As descobertas são muitas... Tivemos também muitos impérios. Ah, sim, vários deles! O Império Romano, o da Igreja Católica, o Britânico, o Império dos Estados Unidos, o Árabe, o Chinês... Oh! Foram tantos! Mas, meus amigos e minhas amigas, todos caíram. Sim, todos! Todos mesmo! Se você não acredita, veja bem, porque a história prova o que eu digo! O Império Romano foi derrubado por pessoas que desejavam fazer parte do império... O Império da Igreja Católica foi derrubado pelas descobertas científicas e, também, por seu abuso do poder. O Império Britânico foi derrubado por duas grandes guerras mundiais, sendo a segunda a pior delas. O Império dos Estados Unidos caiu por sua soberba, o Árabe por sua luxúria, o Chinês por sua arrogância... Sim, todo império cai. E... Por que isso acontece? É que a tirania, companheiros, jamais poderá sobreviver à ânsia de liberdade que o ser inteligente possui! Nenhum tirano, nenhum mesmo, pode sobreviver ao seu povo, se esse povo quer lutar contra a tirania! E, mesmo que o povo não queira lutar contra a tirania, outros lutarão! Eu poderia citar aqui vários exemplos; entretanto, começarei com Hitler. Ele veio com seus preconceitos e sua prepotência, governou a Alemanha, conseguiu criar um império gigantesco, baseado no medo e nas trevas. Contudo, Hitler era arrogante como todo tirano e, essa arrogância o derrubou. No final da II Guerra Mundial, Hitler terminou como o covarde que ele era, enquanto a Alemanha terminou arrasada. Depois disso, tivemos o domínio do mundo dividido entre os Estados Unidos e a União Soviética. A União Soviética caiu, exatamente por ter a intolerância de uma tirania, que contrastava com o Comunismo que ela pregava. Os Estados Unidos, por outro lado, caíram bem mais tarde, porque conseguiram disfarçar sua tirania com uma máscara de falsa liberdade. Depois, o Império Árabe dominou o mundo, mas sua tirania e intolerância acabaram sendo tão grandes que, uma III Guerra Mundial foi provocada. Dessa guerra, emergiu o Império Chinês, que foi um dos mais assustadores e temidos impérios já vistos. Ele governou o mundo todo de dois mil e cem a dois mil e setecentos, quando foi derrubado pela IV Guerra Mundial. A partir daí, vários impérios surgiram. A tensão cresceu e, o mundo passou por mais duas grandes guerras mundiais, as maiores e piores. A VI Guerra Mundial, que durou do ano dois mil e oitocentos a dois mil e oitocentos e cinqüenta, terminou com uma ecatombe nuclear, a qual transformou, para sempre, a vida no nosso planeta Terra. Os antigos países foram extintos e, graças à previsão de alguns bons seres humanos, os quais construíram moradias e cidades subterrâneas, resistentes aos ataques nucleares, a Terra foi reconstruída. O primeiro povo a ressurgir foi o povo que vivia no antigo país chamado Brasil. Esse foi o primeiro povo a sair das profundezas da terra e construir um novo país, de nome Fenixian. Outros povos ressurgiram e construíram outros países... Atualmente, temos: Fenixian, Demnian, Connan, Lactóidan, Draconian, Vennan, Vulcan e Temporan. Cada um desses países traz um povo que ressurgiu, ou um novo: Fenixian, como eu já disse, está onde estava o Brasil... É claro que não é tão simples assim, porque o planeta mudou muito também... Bom, Demnian surgiu do povo que fazia parte do restante da América Latina. Connan, por sua vez, surgiu do povo que morava nos Estados Unidos e no Canadá, enquanto Lactóidan surgiu do antigo povo da Europa, Draconian do antigo povo da Ásia, Vennan do antigo povo da África... Os países Vulcanian e Temporan são novos, não sabemos de quem surgiram... Se é que surgiram de alguém. Depois do surgimento desses países, a Terra passou a viver em paz. A humanidade parecia ter aprendido muito com a última guerra... No ano três mil e sete, os paranormais e feiticeiros foram reconhecidos. A partir daí, o mundo passou a viver em uma plena cooperação. O país Mutlend foi criado por feiticeiros, paranormais e pessoas comuns, em conjunto... Ele foi criado em uma outra dimensão, com portais para os sete outros países que falei... Ele deveria ser o centro da humanidade, um símbolo de eterna cooperação. Deveria, mas, infelizmente, não foi... E... Por que não foi? Não foi, porque alguns seres humanos quiseram repetir os mesmos erros de antes... Não foi, porque cada um desses sete países quiseram ser novamente império... Não foi, por causa da soberba, prepotência e arrogância de alguns malditos seres que se dizem humanos! Agora, há dez anos, estamos em uma nova guerra: a maldita VII Guerra Mundial. E, mais uma vez, homens, mulheres e crianças estão morrendo... E, mais uma vez, lugares estão sendo destruídos... E, mais uma vez, insistem em repetir os erros que levaram a humanidade a uma hera de trevas e escuridão. E, nesse horror, um tirano se destaca: trata-se de Emanuel, Emanuel Demoni, o ditador de Demnian.
Lisandra fez um silêncio, enquanto sua platéia se congelava ao ouvir o nome de Emanuel. Após uma pausa dramática, ela continuou:
_ Emanuel, hoje, é mais temido que Hitler foi... Emanuel é considerado o pior dos tiranos e, devo admitir, ele é. Todos pensam que ele é o Demônio, ou tem pacto com ele; afinal, ele derrotou, na guerra, quase todos os países... Lactóidan, Draconian, Vennan e até mesmo os países pouco conhecidos e muito temidos Emanuel dominou Vulcan e Temporan, além de quase todo o território de Mutlend também! Por isso, muitos pensam que ele é invencível. Porém, eu quero lhes contar uma coisa: Emanuel não é invencível! Não mesmo! Ele é apenas um ser humano comum, não um demônio; ele é tão frágil quanto eu e você.
Após essa afirmação, Lisandra fez mais uma pausa dramática, porque sua platéia ficou perplexa. Depois de alguns segundos, ela continuou:
_ Vocês querem uma prova de que Emanuel não é invencível? Muito bem! Eu tenho uma! Vejam... Vejam esses três quarteirões...
E a garota do discurso apontou para os três quarteirões. Os quarteirões em questão eram isolado do resto de Mutlend. No quarteirão central _ o qual tinha sete lados _ era onde ficava o CONFEIT: o Conselho dos Feiticeiros. O CONFEIT é dividido em sete partes, cada uma com a entrada em uma rua diferente. A primeira era a Câmara do Povo, formada por representantes diretos dos feiticeiros, eleitos por eles (feiticeiros comuns, que se candidatam); essa câmara é mais ou menos como a nossa Câmara dos Deputados; ela tinha sua entrada na Avenida Fênix. A segunda era o Senado, constituído por representantes dos países e também por três representantes da Irmandade _ parte dos feiticeiros que decidiram por viver ainda em oculto; o Senado tinha sua entrada na Avenida dos Dragões. A terceira parte era onde ficava o poder executivo, formado por um primeiro ministro (o qual cuidava de assuntos internos, de interesse da sociedade feiticeira) e por um presidente (o qual cuidava de assuntos da instituição CONFEIT e representava o CONFEIT em decisões importantes na Terra e fora dela); o poder executivo tinha sua entrada na Avenida Rei Arthur. A quarta entrada era onde ficavam os ministérios, com seus respectivos ministros e funcionários; aí, caro leitor, não há muita novidade não, é como funciona atualmente mesmo; essa entrada era na Avenida Morgana Dark. A quinta parte era o Poder Judiciário, constituído, naturalmente, por juízes e demais funcionários; aí, ficavam o Supremo Tribunal do CONFEIT _ onde eram tomadas as decisões em última instância _, o Superior Tribunal do Confeit _ o qual liderava os demais tribunais superiores e decidia casos que eles não conseguiam decidir _ e os demais tribunais superiores (como o Superior Tribunal de Justiça Policial do CONFEIT, por exemplo); o Poder Judiciário do CONFEIT tinha sua entrada na Avenida Hades. A sexta entrada era onde ficava o Centro Comercial do CONFEIT; lá era onde estavam o maior Shopping dos feiticeiros, o Centro Comercial Zeus; a entrada dele era na Avenida Mago Lucas. A sétima entrada era onde ficava o Conselho de Sábios do CONFEIT. O Conselho de sábios era o órgão superior do CONFEIT: ele decidia sobre tudo o que o Conselho dos Feiticeiros não conseguia decidir. Ele era formado por 13 conselheiros, sendo um deles o chefe. O Conselho de Sábios podia fazer qualquer coisa: podia fechar o executivo, o legislativo, o judiciário... Podia convocar novas eleições, podia governar o CONFEIT sozinho... Enfim, ele era temido e respeitado por todos. Tradicionalmente, ele interferia muito pouco na vida dos feiticeiros; afinal, convocar o Conselho de Sábios era sinal de que algo não ia bem, exatamente porque a aura dele era gigantesca e, por isso, acreditava-se que ele só devia intervir quando os simples mortais não conseguiam resolver seus problemas. A chefe do Conselho de Sábios era Lisandra Sólen. Isso não era algo comum, uma vez que, geralmente, o chefe desse conselho era alguém mais velho; entretanto, o antigo chefe do Conselho de Sábios escolheu Lisandra como sua sucessora e, embora todos tivessem ficado desconfiados, ninguém pôde fazer nada contra isso, já que a decisão de um chefe do Conselho de Sábios é inquestionável. Além disso, Lisandra Sólen se mostrou muito eficiente no trabalho: assim que ela assumiu o conselho, as ameaças de ataque ao conselho, feitas por Emanuel, terminaram. Emanuel invadiu todo o país onde ficava o CONFEIT, menos os três quarteirões que Lisandra jurou proteger com a própria vida. Esses quarteirões são: o Quarteirão do CONFEIT, o Quarteirão do COMPARA (o Conselho dos Paranormais) e, o Quarteirão do COMPECOM (Conselho das Pessoas Comuns). O Conselho de Sábios do CONFEIT tinha sua entrada na Rua Merlim. O quarteirão que ficava na frente do CONFEIT era o Quarteirão do COMPARA, enquanto o que ficava atrás era o Quarteirão do COMPECOM. Ambos eram hexagonais.
O fato de Lisandra Sólen, chefe do Conselho de Sábios do CONFEIT estar fazendo um discurso inflamado contra Emanuel era algo ao mesmo tempo incomum e reconfortante. Afinal, todos temiam Emanuel e, ao mesmo tempo, todos sabiam que Emanuel parecia ter medo da líder do Conselho de Sábios.
A garota prosseguiu discursando:
_ Vocês vêem esses três quarteirões? Eles são a prova da fraqueza de Emanuel! Ora essa! Ele não é invencível? Ele não é poderoso? Ele não pode tudo? Então, por que ele não tentou atacar estes quarteirões? _ Lisandra, mais uma vez, calou-se por alguns segundos.
Sua platéia estava muito interessada agora: ela parecia ter ganhado o público. Lisandra continuou:
_ Vocês percebem? Já descobriram tudo? Não??? É simples! Emanuel não ataca estes três quarteirões, porque tem medo. Sim, companheiros e companheiras, Emanuel tem medo! Viram? Ele tem medo! Assim como todos nós, Emanuel tem medo! O que há de especial no medo de Emanuel? Nada! Exatamente nada! Entenderam agora? Emanuel é como eu e você, ele é um ser humano comum, apenas isso! Ele não é o demônio, ele não é invencível, ele é só um ser humano comum! Então, amigos e amigas, por que vocês o temem?
Agora sim, a platéia estava pra lá de perplexa! Aquela garota estava, publicamente, discursando contra o maior dos tiranos já vistos pela Terra?
Sim, estava, e o discurso ainda não tinha acabado:
_ Emanuel, colegas, será tão grande quanto você quiser que ele seja. E, se todos se entregarem, ele vai mesmo dominar o mundo todo. Porém, se cada um de nós lutar contra a dominação desse tirano maldito, nós o venceremos! Afinal, ele é só um ser desprezível, que se entregou às trevas. Nós, por outro lado, somos muitos, e somos seres guiados pela luz. Não, não tenha medo de Emanuel! Lute contra ele! Não deixe que ele domine você! Vença essa batalha interna, domine a si mesmo! E, então, você poderá retomar o domínio de sua vida! Depois, você poderá ter o domínio da sua família, poderá ajudar outras pessoas a terem domínio delas mesmas... Livre-se! Então, livre sua família! Daí, você e sua família poderão livrar seus vizinhos! Aí, você, sua família e seus vizinhos poderão livrar sua rua, depois seu bairro, depois sua cidade, depois seu estado, depois seu país e, por fim, todos nós, juntos, poderemos livrar o mundo de Emanuel! Vamos lá! Eu acredito em nós! Acredite você também! Nós podemos! E, se você não acredita em si mesmo, peço que, ao menos, acredite em mim! Emanuel não tem coragem para me enfrentar. Ele fugiu do combate. Desde que entrei como chefe do Conselho de Sábios, ele fugiu de mim. Ele não é nada! E, sabem de uma coisa? Ele jamais me vencerá. E eu darei a minha vida, se preciso, para derrubar a tirania de Emanuel! Sabem por quê? Porque eu não quero deixar para aqueles que amo um mundo de tirania. E você? Que mundo quer deixar? Como quer ser visto? Como quer ser lembrado pela História? Como um lutador, ou como um covarde? Como alguém que ajudou a derrubar a tirania, ou como alguém que fez parte dela? Como herói, ou como omisso? Você quer que as pessoas que você ama se orgulhem de você, ou tenham vergonha de te lembrar? Vamos, colegas, vamos lutar contra Emanuel! Vamos derrubar a tirania dele! Eu estarei com vocês! E, juntos, nós venceremos! Sim, nós podemos! E nós vamos ganhar essa guerra!
Agora, leitor, a platéia estava aplaudindo, em delírio.
Enquanto isso, os olhos do garoto que assistia ao discurso na TV se enchiam de orgulho.
_ Gostou do discurso? _ Perguntou Lisandra, que chegava em casa naquele momento.
_ Muito bom! _ Respondeu o garoto. _ Mas... Será que Emanuel não vai atacar aqueles três quarteirões?
_ Sim, eu acho que vai sim. Mas... É exatamente o que desejo. Ele atacará os quarteirões e, esse será um de seus maiores erros.
_ Como assim?
_ Emanuel é prepotente. Ele vai atacar os três quarteirões, mas não vai se preparar para isso muito bem... Vou mandar todo o Conselho de Sábios contra ele, derrotá-lo e, então, o povo terá esperança. E, quando isso acontecer, Emanuel terá que recuar. Não ganharemos a guerra ainda, mas, teremos um refresco, ganharemos um pouco mais de tempo para nos prepararmos para o combate final.
_ Brilhante!
_ Não, Alan, não há nada de “brilhante” nisso... Essa é uma guerra e, em uma guerra, nada é “brilhante”. Bom, esses dias estão sendo muito difíceis... Espero que tudo se acalme de novo, pra eu não precisar ir todo dia lá pro CONFEIT. Mas... E aí, Alan? Como foi seu dia?
_ Normal... Não fiz nada de especial. Mas, assim é que é bom. Eu adoro férias!
_ Sim, férias é bom mesmo. Você viu alguma coisa de interessante na televisão hoje?
_ Além do seu discurso?
_ Ei! Meu discurso não foi interessante! Foi apenas um discurso...
_ É claro que foi interessante! Foi empolgante! Foi fantástico!
_ Tudo bem, Alan, se você diz... Mas, fora o discurso, viu algo interessante?
_ De interessante sim, mas, nada de novo... Só o que vejo todo dia mesmo.
_ E... Como foi o “GUERREIROS DA MAGIA” hoje?
_ Oh! Foi incrível! Hoje o Lucas derrotou aquele vilão... Como é mesmo o nome dele? Ah, sim! Cândido! O Lucas derrotou ele, foi muito legal!
_ Oh, que pena que perdi isso!
E o diálogo prosseguiu.
Enquanto isso, em Demnian, Emanuel estava muito irritado.
_ Maldita! Infeliz! _ Ele bradava, bem alto. _ Como ela ousa me desafiar dessa forma?
_ Destrua ela, senhor! _ Falou o ministro-chefe.
_ É isso mesmo que vou fazer! Vou acabar com ela!
_ Senhor? Permissão para falar, senhor? _ O faxineiro pediu.
_ Fala! _ Autorizou Emanuel, de mau-humor.
_ Senhor, com todo o respeito, eu não acho conveniente atacar os três quarteirões agora...
Se fosse qualquer outro funcionário de baixo calão, Emanuel teria mandado executar da pior maneira possível. Porém, aquele empregado, embora demonstrasse uma fidelidade incondicional, parecia ser diferente... Emanuel não sabia explicar como, mas ele era diferente. Então, o imperador questionou, só pra ver onde ia dar isso:
_ E... Por que não é conveniente, Gonzalo?
_ Majestade, o senhor domina quase o mundo todo. O senhor está se preparando para atacar Connan agora. E, se atacar, vai ganhar e transmitir ainda mais terror para o mundo! Porém, se o senhor atacar aqueles quarteirões, o senhor não vai conseguir vencer, mestre... Então, o povo que o senhor domina terá esperanças... Daí, o senhor vai ter que recuar. Majestade, não ataque aqueles quarteirões, por favor!
_ Então, Gonzalo, você acha que não vou derrotar Lisandra Sólen? _ O imperador perguntou, com um pouco de raiva.
_ Infelizmente, não, senhor.
_ E... Por quê? _ Emanuel questionou, com um tom de voz perigoso.
_ Majestade, Lisandra Sólen vai jogar todo o Conselho de Sábios contra nós e, tenho certeza: nossas tropas não estão preparadas. O senhor sozinho, infelizmente, não vai conseguir derrotar as tropas de Lisandra, mestre. E... Quando a coisa ficar feia, nenhum soldado vai salvar o senhor, porque todos estão preocupados em salvar suas próprias vidinhas insignificantes. Nem o ministro, que está aí do seu lado, daria a vida pelo senhor, Majestade.
_ Que insolência! _ Protestou o ministro-chefe. _ Executa esse faxineiro insignificante, Majestade!
Emanuel não fez isso. Ao contrário: ele pensou um pouco e, em seguida, questionou:
_ Você me protegeria com a própria vida, Gonzalo?
_ Nada me daria maior prazer, Majestade!
_ Você viria comigo para esta batalha, mesmo achando que não vamos ganhar?
_ É claro que sim, mestre!
_ Então, está decidido: você virá comigo e terá a responsabilidade de me proteger. Agora... O que eu gostaria de saber é... Você viria comigo, ministro?
O ministro-chefe tremeu, mas, diante do “convite irrecusável”, teve que responder:
_ Eu? É... É... É claro... É claro que... É claro que sim, m... M... Me... Mestre...
_ Que ótimo! Você vai comandar as tropas, vai ficar na linha de frente!
_ Eu?
_ É claro, ministro! Você acredita que vamos ganhar, não é?
_ Claro, Majestade!
_ Então, você não tem por que temer, certo?
_ S... S... Si... Sim, mestre.
_ Ótimo! Então, você irá na frente, você vai liderar nossas tropas!
_ C... Cl... Cla... Cla... Claro que... Que... Que si... Si... Sim, Ma... Majestade.
_ Bom! Agora, vamos reunir as tropas e atacar!
Voltando à casa de Alan, os irmãos conversavam amigavelmente, enquanto assistiam ao que passava na TV.
Hoje está quente, não é? _ Disse Alan.
_ Aqui em Fenixian sim... Em Mutlend o tempo está melhor...
_ Lá faz frio?
_ Não... Mutlend foi criado de modo que a temperatura fique sempre agradável. Então, lá não faz nem frio, nem calor.
_ Como é que fizeram isso?
_ Magia, Alan, magia... Magia antiga e, muito poderosa. Foi preciso um montão de feiticeiros pra fazer isso. Mudando de assunto... Você já tomou seu banho hoje?
_ Sim, já!
_ Que ótimo! Daqui a pouco vou fazer nosso...
O que Lisandra ia dizer foi interrompido pelo computador que soava um alarme e gritava:
_ Alerta vermelho! Alerta vermelho! O perímetro de segurança foi invadido! Os feitiços de proteção estão sendo atacados! Alerta vermelho! Alerta vermelho! O perímetro de segurança foi invadido! Os feitiços de proteção estão sendo atacados! Alerta vermelho! Alerta vermelho! ...
_ É... Acho que chegou a hora. _ Lisandra falou.
_ É Emanuel, não é? _ O garoto perguntou.
_ Sim, Alan...
_ Não gosto disso.
_ Nem eu, Alan... Mas, você pode ficar tranqüilo, porque esta batalha não será difícil.
_ Alerta vermelho! _ Insistia o computador. _ Alerta vermelho! O perímetro de segurança foi invadido! Os feitiços de proteção estão sendo atacados! Alerta vermelho! Alerta vermelho!
_ Computador, Código Vermelho, Reação Vermelha 00. _ Lisandra ordenou.
_ Tem certeza, senhorita Sólen? _ Questionou o computador.
_ Sim, eu tenho.
Então, o computador mudou o discurso:
_ Atenção! Atenção! Convocando todo o Conselho de Sábios. Conselheiros, compareçam ao Quarteirão Central, em, no máximo, um minuto. Aquele que não comparecer será considerado traidor e executado imediatamente, sem julgamento. Atenção! Atenção! Convocando todo o Conselho de Sábios. Conselheiros, compareçam ao Quarteirão Central, em, no máximo, um minuto. Aquele que não comparecer será considerado traidor e executado imediatamente, sem julgamento. Atenção! Atenção!
_ Bem, Alan, tenho que ir agora. _ Lisandra disse.
_ Tudo bem, então. Boa sorte!
_ Obrigada!
_ De nada!
E Lisandra desapareceu, deixando um irmão muito preocupado em casa.
E, no Quarteirão Central, o quarteirão do Confeit, todo o Conselho de Sábios estava lá.
_ Isso é um absurdo! _ Reclamou um senhor de estatura média, óculos nos olhos, 157 anos de vida, branco, ligeiramente gordo, olhos castanhos e cabelos curtos, negros e lisos. _ Ninguém nunca havia usado esse código! E... Convocar todo o Conselho de Sábios? O chefe anterior devia estar louco pra escolher aquela garota como líder!
_ Você está enganado, Thomas. _ Quem disse isso foi uma mulher de 50 anos, chamada Vitória. Ela era alta, negra, tinha gordura controlada, cabelos castanhos e olhos azuis. _ Lisandra Sólen é a feiticeira mais inteligente e poderosa do universo! Ela é a mais sábia! Se ela convocou todos nós, é porque é necessário!
_ Ah, ta... Você é mais uma daquelas que amam a Senhorita Sólen.
_ O que você tem, Thomas, é inveja. Você queria estar no lugar dela, não é?
_ É claro que sim!
_ Você se acha mais sábio que eu, não é, Thomas? _ Lisandra apareceu de algum lugar na frente de Thomas e questionou.
_ É claro que sim!
_ É por isso que você não é, Thomas. Alguém que se acha mais sábio, jamais o será.
_ E você não se acha a mais sábia?
_ Não, Thomas... Eu não me acho. Há várias pessoas mais sábias que eu no universo, pessoas que poderiam estar no meu lugar e fazer tudo bem melhor que eu.
_ Então, Senhorita Sólen, por que você é a líder do Conselho de Sábios, e não essas outras pessoas?
_ É simples, Thomas: eu fui a escolhida. É só isso! O antigo chefe do Conselho de Sábios, não sei por que, achou que eu merecia estar aqui.
_ A senhorita não sabe por quê? _ Vitória se espantou. _ Ora essa! É simples! Não há, em todo universo, ninguém mais sábia e poderosa que a senhorita!
_ Agradeço, Vitória, mas discordo... _ Lisandra disse. _ Mas, cada um tem o direito de pensar o que quiser, é claro. Agora, vocês dois, vamos nos reunir com os outros conselheiros para as instruções básicas. Computador?
_ Sim, Senhorita Sólen?
_ Convoque todo o exército do CONFEIT.
_ Todo o exército?
_ Sim, computador, todo o exército.
_ Tem certeza, Senhorita Sólen?
_ Sim, computador, eu tenho.
_ Atenção! Atenção! Convocando todo o exército do CONFEIT! Atenção! Atenção! Convocando todo o exército do CONFEIT! Atenção! Atenção!
E Lisandra, com os outros dois conselheiros, foram se reunir com os demais. Todo o Conselho de Sábios estava lá.
Lisandra, então, ergueu as mãos para conseguir silêncio e, quando todos se calaram, ela discursou:
_ Hoje, companheiros, Emanuel tenta nos atacar. Como vocês podem ver, ele está tentando destruir os feitiços de proteção que coloquei. Como eu esperava, ele está tendo sérias dificuldades; porém, os feitiços cairão. Mas... Garanto, colegas, que o CONFEIT não cairá! Todos nós daremos nossas vidas por isso! Aliás, não é bem por isso que daremos nossas vidas não... Se o CONFEIT cair hoje, o mundo perderá as esperanças e se entregará a Emanuel. Se o CONFEIT cair hoje, as pessoas que amamos ficarão nas mãos de um maldito ditador impiedoso e sem caráter. Porém, se Emanuel perder, ele terá que recuar! O mundo terá esperanças e, vai lutar contra essa praga da humanidade! Se o CONFEIT ficar de pé, todo o mundo vai se reerguer também! E, aí, as pessoas que a gente ama poderão viver em um mundo livre, poderão viver felizes e em paz! Então, colegas, hoje, agora, nós estamos lutando por aqueles que amamos! E então? O que nós damos àquelas pessoas que amamos? O que somos capazes de fazer por elas? O que cada um de vocês é capaz de fazer por aqueles que vocês amam? Eu sou capaz de dar a minha vida! E vocês? Estão comigo?
_ Sim, estamos! _ Todos responderam.
_ Então, vamos derrotar Emanuel!
Todo o Conselho de Sábios vibrava após o discurso. Depois de um tempo, a chefe do Conselho prosseguiu:
_ Nós não lutaremos sozinhos. Todo o exército do CONFEIT foi convocado, estão todos aqui! Cada um de vocês, conselheiros, vai liderar uma parte do exército. E vocês, do exército, recebam o conselheiro como um de vocês. Afinal, hoje, somos todos lutadores, lutamos todos pelo mesmo motivo: as pessoas que amamos. Então, hoje, somos todos iguais. Somos todos guerreiros e, tenho certeza, somos todos vencedores!
Agora, os conselheiros e o exército estavam vibrando, juntos. Após um momento, Lisandra continuou:
_ Muito bem! Agora, vamos à parte prática! Thomas, você ficará a Norte, por onde Emanuel vai tentar invadir. Vitória, você fica com Thomas.
_ Sim, Senhorita Sólen! _ Vitória respondeu. Thomas ficou calado, apenas esperando a hora de cumprir a ordem.
_ Elisabete, você ficará a Leste.
Uma mulher muito alta, forte, inteligente, negra, de gordura controlada, 30 anos, olhos azuis e cabelos longos, lisos e negros, respondeu:
_ Sim, senhorita Sólen!
_ Nórton, você ficará com ela.
_ Sim, Senhorita Sólen. _ Um homem baixo, magro, branco, muito sério, de 130 anos, olhos verdes e cabelos brancos, aceitou.
_ Jonatan e Charlot, vocês ficarão no Sul.
_ Sim, senhorita Sólen! _ Jonatan, um homem alto, gordo, forte, negro, de 70 anos, olhos verdes e cabelos castanhos, respondeu.
_ Sim, Senhorita Sólen. _ Uma mulher alta, magra, mestiça, de 65 anos, olhos verdes e cabelos ruivos, concordou.
_ Carlos e Catarina, vocês ficarão a Oeste.
_ Sim, Senhorita Sólen! _ Os dois concordaram.
Carlos era um homem baixo, magro, mestiço, de 115 anos, olhos azuis e cabelos brancos. Catarina era uma mulher baixa, gorda, mestiça, de 120 anos, olhos castanhos e cabelos louros.
_ Damian, você vai ficar a Sudoeste.
_ Sim, senhorita Sólen. _ Um homem alto, gordo, negro, de 30 anos, cabelos e olhos negros (os cabelos batiam no ombro), respondeu.
_ Christina, você ficará a Noroeste.
_ Sim, senhorita Sólen. _ Uma mulher alta, magra, negra, cabelos longos e grisalhos, olhos azuis, 125 anos, respondeu.
_ Lion, você ficará a Sudeste.
_ Sim, senhorita Sólen! _ Um homem alto, magro, mestiço, de 45 anos, olhos e cabelos castanhos, respondeu.
_ Agora... Mary... Eu não gostaria que você tivesse que passar por isso agora... Não sei se você está pronta...
_ Eu estou pronta, senhorita Sólen! _ Uma jovem de estatura média, gordura controlada, mestiça, com 25 anos, olhos verdes, cabelos longos e loiros, respondeu.
_ Bom, então... _ Lisandra continuou incerta. _ De qualquer forma, eu não tenho escolha. Mary, você vai ficar a Nordeste, tudo bem?
_ Sim, senhorita Sólen!
_ Qualquer coisa, peça ajuda a Vitória...
_ Eu vou dar conta, senhorita Sólen!
_ Eu espero que sim, Mary, mas Emanuel é um adversário considerável, e você não está pronta. Contudo, em uma guerra, até mesmo aqueles que não estão prontos se tornam soldados... Não há tempo para preparações, infelizmente.
Após um tempo de silêncio, Lisandra se virou para o exército e falou:
_ Agora, quero o exército dividido em alguns grupos... Cada um de vocês recebeu minhas ordens por escrito, enquanto eu estava dividindo o Conselho de Sábios nas posições. Então, vocês já sabem o que fazer. Agora, meus amigos, a batalha vai começar. Então, todos, vão pras suas posições! Tudo o que eu posso dizer é... Boa sorte.
E todos foram para suas posições. Agora o campo de batalha estava configurado. Os três quarteirões estavam cercados de soldados. Emanuel forçava os feitiços de proteção, cada vez com mais força e sucesso. Tudo estava pronto: a batalha começaria em alguns minutos... Talvez até menos.
Emanuel atacava os feitiços de proteção e maldizia:
_ Maldição! Aquela garotinha insolente acha que vai me segurar com esse monte de feitiços? Infeliz! Eu vou matar aquela imbecil! Maldita!
Cada vez o tirano atacava os feitiços de proteção com mais e mais ódio, com mais e mais energia, até que, finalmente, as proteções sucumbiram.
_ Excelente! _ Exclamou Emanuel. _ Agora podemos atacar.
_ Mestre? _ Gonzalo chamou. _ Permissão para falar, senhor?
_ Sim, Gonzalo.
_ Eu trouxe um daqueles óculos especiais, mestre, pra ver muito longe... E... Estou vendo aqui que, a Nordeste, quem está liderando o exército é uma garota de mais ou menos 25 anos... Ela parece insegura, majestade. Ao Norte, temos dois membros do Conselho de Sábios... Acho, senhor, que a maior parte do nosso exército deve atacar a Norte, para que continuem pensando que vamos fazer isso; porém, uma parte do exército deve ir com o senhor, mestre, e atacar a Nordeste.
Emanuel pensou um pouco e, mais uma vez, percebeu que Gonzalo tinha dado uma sugestão inteligente: fazia sentido o que ele falava.
_Sim, Gonzalo, você está certo. Vamos fazer exatamente isso. E você virá comigo.
_ Claro, mestre!
_ Ministro?
_ S... Si... Sim, ma... Ma... Majestade?
_ Você vai liderar nosso exército a Norte.
_ S... S... Si... Si... Sim, m... M... Me... Me... Mês... Mestre...
_ Ótimo! Bom, agora, meus súditos, vamos atacar e arrasar esses quarteirões! Eu não quero vivos, quero vidas; eu não quero corpos, quero cinzas; eu não quero vitória, quero humilhação! Vamos acabar com o inimigo!
Todo o exército de Emanuel vibrava de forma enlouquecida.
Então, o ataque começou. A Norte, o ministro liderava o exército que se chocou contra o exército do CONFEIT, liderado por Thomas e Vitória. Os dois exércitos eram muito grandes, porque Lisandra esperava um ataque pelo Norte. A batalha começou, e voavam tiros de canhão laser, feitiços e flechas (lançadas por paranormais do exército de Demnian). Enquanto isso, o exército do CONFEIT rebatia tudo isso com escudos mágicos e feitiços poderosos. Era uma batalha feroz.
O ministro, que liderava o exército de Emanuel, pensava em muitas coisas... Era claro e evidente que Emanuel queria a vitória, mas era também claro e evidente que não conseguiria. E, quando o ditador colocou o ministro para liderar, na opinião do ministro, era uma condenação à morte, e não uma honra, como muitos pensariam. Afinal, a qualquer momento, Lisandra Sólen apareceria e, não havia nenhuma maneira que aquele exército ficaria de pé e enfrentaria a líder do Conselho de Sábios. Emanuel estava louco, mas, claro, louco ele sempre foi. O difícil era que o tirano pedia muito mais que os serviços de alguém: ele pedia a alma. E isso o ministro não queria dar... Mas já era tarde demais para ele. Agora, sinceramente, ele se lamentava ter seguido a carreira política; porém, como ele ia saber que tudo terminaria assim? Quando ele começou na política, o mundo estava em paz! Tudo estava em paz! E, então, um homem carismático ganhou uma eleição, convenceu os cidadãos de Demnian que eles eram superiores, criou um exército poderoso e começou uma guerra louca. O ministro permaneceu como ministro-chefe, mas teve que se submeter a esse homem carismático. No início, o carisma de Emanuel conquistou até ao ministro e, depois, mesmo que o ministro tenha descoberto que o ditador não merecia tanta admiração assim, eles estavam ganhando, não é? Então, nenhum problema aí. Mas, agora, Emanuel estava no auge da loucura. Atacar aqueles quarteirões? Enfrentar Lisandra Sólen? Isso era loucura! Não, isso não acabaria bem. E, por causa de um faxineiro, o ministro estava ali, liderando um exército que perderia a guerra. Droga. Quantos perderiam a vida? Quantos perderiam mais que a vida? Aquela era uma guerra e, só agora, um político, que ficava sempre dentro de uma salinha protegida, entendia o que isso significava realmente. Só agora, o ministro sentia o que a guerra fazia com as pessoas e como ela mudava seres humanos.
A batalha estava indo razoavelmente bem para o ministro. A luta estava parelha. O exército de Emanuel não era temido por nada, tinha uma razão muito boa: esse exército era muito bom. Afinal, não era qualquer um que conseguia enfrentar um exército do CONFEIT liderado por dois membros do Conselho de Sábios e durar por tanto tempo, mantendo uma batalha parelha. Os feitiços, tiros de lasers e flechas voavam por todo lado. O ministro, ele mesmo, não lançava nada; mas, também, era bom, porque aí, ninguém lançava nada nele, ninguém sequer o notava. Ótimo, não é? Esconder... Boa tática em uma guerra. E teria dado certo...
Teria, se, em um momento, Lisandra Sólen não tivesse aparecido, do nada, diante do ministro.
_ Ministro... _ Disse Lisandra, com uma voz calma. _ Eu não esperava encontrar você por aqui. Esperava encontrar seu mestre, mas, você? Não... O que faz você aqui, ministro?
_ Liderando meu exército! _ Respondeu o burocrata, tentando soar mais confiante do que ele se sentia.
_ Ora, ministro, não precisa fingir confiança. Nós dois sabemos que você não é soldado, ministro... Você é um burocrata. E burocratas não foram feitos para a guerra. Então, eu quero saber... O que faz você aqui?
_ Liderando o exército! _ Insistiu.
_ Ministro, você não está liderando nada... Nem seus próprios medos. Você está se escondendo em um canto, torcendo para não ser visto por ninguém. E, agora, eu estraguei suas intenções, porque eu te vi. Diga a verdade, ministro... O que faz você aqui?
Nesse momento, os olhos temerosos do ministro encontraram os olhos penetrantes de Lisandra Sólen. E, então, o ministro se sentiu intimidado, se sentiu uma criança, pega em flagrante pela mãe. Que sentimento horrível! Como ele foi parar ali? Ele se perguntava, e não sabia. Mas... Lisandra esperava uma resposta, não é? O que ele responderia? O que fazia ele ali? O ministro sabia que não devia, mas foi impelido a dizer a verdade.
_ Eu... Eu não sei. _ E lágrimas saíram dos olhos do ministro. _ Eu não sei o que faço aqui... Eu nem queria estar aqui! Droga!
_ Eu sei, ministro... Eu sei. _ Lisandra respondeu, em um tom calmo e tranqüilo, até mesmo reconfortante. _ Agora me diga, ministro... Onde está seu mestre?
Mais uma vez, o ministro não deveria responder, mas foi compelido a dizer a verdade... Por quê? Ele não soube. Não soube, mas respondeu sinceramente:
_ Ele atacou a Nordeste, com uma parte do exército. Ele e aquele faxineiro estão tentando surpreender o CONFEIT.
_ Oh, não... Isso não é bom. _ Lisandra falou. _ Bom, tenho que ir. Mas, antes, vou dar uma ajudinha para o meu exército, não é?
Então, a chefe do Conselho de Sábios lançou:
_ [Magia da morte!]
E um montão de raios vermelhos saíram das mãos de Lisandra e atingiram membros do exército de Demnian no peito, tirando-lhes a força vital que os mantinha vivos. Para finalizar, Lisandra disse ao seu exército:
_ à vitória, companheiros!
_ à vitória! _ Todos gritaram juntos.
E a guerra virou. O exército do CONFEIT ganhou terreno e forças. Então, o ministro sabia, sabia que estava acabado. O exército do CONFEIT estava empurrando o exército de Demnian para fora do perímetro daqueles quarteirões e, quando a situação para o ministro já estava ruim, mais um membro do Conselho de Sábios veio com um exército: tratava-se de Jonatan, que vinha do Sul com um exército, a fim de ajudar a repelir o ataque de Demnian. O exército de Emanuel foi esmagado. A guerra estava perdida ali para Demnian.
Enquanto isso, no Nordeste, a coisa não ia muito bem para o exército do CONFEIT. Afinal, Mary estava pronta para enfrentar um exército de Demnian, mas não Emanuel _ ele mesmo.
Quando o exército de Demnian chegou, a batalha começou e, inicialmente, tudo estava parelho: o exército de Emanuel, que tinha pessoas comuns, paranormais e feiticeiros, lançava feitiços, lasers e outras armas; o exército do CONFEIT rebatia com escudos fortíssimos e feitiços de primeira qualidade. Os feitiços dos combatentes do CONFEIT eram muito mais fortes, mas a fraqueza dos soldados de Demnian era compensada pelas outras formas de lutar (as formas de luta dos paranormais e das pessoas comuns). Mary liderava o exército do CONFEIT. Ela estava na linha de frente, lançando feitiços freneticamente. No começo, ela não queria matar ninguém; no entanto, logo ela percebeu que aquilo era uma guerra e, assim, teria que matar. Então, ela parou de lançar feitiços incapacitantes e passou a lançar a magia mais mortal conhecida: a “magia da morte”.
Mary estava tentando ser brava, tentando matar muitos inimigos... Ela pensaria sobre a culpa de matar seres humanos depois.
_ Adiante, companheiros! _ Ela gritava. _ Vamos acabar com eles!
E ela fazia sua parte, indo com força para frente, erguendo as duas mãos, posicionando-as em um bom ângulo e lançando vigorosamente:
_ [Magia da Morte!]
E vários raios vermelhos saíam das mãos da jovem sábia e atingiam, de forma certeira, os soldados de Emanuel. Com essa arremetida de Mary, seus comandados ganharam força e passaram a lutar com mais raça. A guerra estava indo bem, o exército do CONFEIT ganhava no Norte e, até então, ganhava também a Nordeste. Ganhava, até que, de súbito, o tirano demoníaco apareceu, do nada, no ar, flutuando. Emanuel veio para a guerra. Ele veio e, com ele, veio a escuridão. Com ele, veio a morte; com ele, veio o sofrimento; com ele, veio a tirania. Ainda do ar, acima de todos os combatentes, Emanuel lançou:
_ [Magia da morte!]
E vários, muitos, diversos, um montão mesmo, vários raios vermelhos saíram das mãos do tirano e acertaram os soldados do CONFEIT. A partir daí, os soldados de Demnian ganharam força e a guerra virou. Agora, Emanuel ganhava a Nordeste.
O governante demoníaco pousou no chão, na frente de Mary, e disse:
_ Olá, guerreira do CONFEIT. Você é jovem... Está pronta para morrer tão cedo?
_ Estou pronta para dar a minha vida a Lisandra Sólen.
_ E... Por quê? O que ela fez para você? O que ela fez pra ganhar sua fidelidade?
_ Isso não é da sua conta!
_ Agora, agora... Garotinha... Isso é jeito de falar com seus superiores?
_ Você não é meu superior, Lisandra Sólen é.
_ Bom, então... Vou reformular minha pergunta... Isso é jeito de falar com seu assassino? Isso é jeito de falar com a pessoa que vai tirar sua vida?
_ Você não vai tirar a minha vida. Eu vou tirar a sua.
_ Sério mesmo? Você acredita mesmo nisso?
A verdade é que ela não acreditava. Todavia, respondeu, confiante:
_ Sim, eu acredito!
Numa guerra, metade é estratégia, um quarto é mentira, um oitavo é sorte e apenas um oitavo é a quantidade e qualidade dos soldados. Mary sabia disso, mas, claro, não funcionaria com Emanuel. Afinal, a diferença de qualidade entre eles era tanta que, mesmo sendo só um oitavo, nada mais importava. O tirano falou:
_ Eu não sei o seu nome, garota... Mas, sei uma coisa: você vai morrer aqui e agora. Mas, claro, vou fazer a sua morte beeeeem dolorosa e lenta... Aprecie.
A voz do governante demoníaco congelou tudo em Mary, desde o cabelo até o calcanhar. Mas, ela venceu o medo e decidiu atacar primeiro:
_ Chega de falar! Eu posso não matar você, mas vou atrasar você até que Lisandra chegue! [Ondas Mágicas!]
Mary fez um gesto de ondas com as duas mãos e várias ondas gigante de energia mágica saiu das mãos da sábia e foram violentamente na direção de Emanuel. O tirano apenas flutuou, fez aparecer uma prancha de energia nos seus pés, similar a uma prancha de surf, e literalmente surfou as ondas mágicas. E, embora várias outras ondas de magia tenham ido na direção do governante demoníaco, ele surfou todas elas. Era incrível e assustador.
_ Bem _ falou o ditador de Demnian _, agora é a minha vez... [Magia da escuridão!]
Emanuel ergueu as mãos para o Céu, com os braços abertos, baixou as mãos, fechando-as até uma encostar na outra e, então, após as mãos se encontrarem, ele foi em direção ao chão e encostou as mãos no solo. E, quando fez assim, tudo no campo ficou escuro... A escuridão era total e aterrorizante.
E, da escuridão, o ditador falou, com uma voz arrepiante, que causaria medo mesmo no mais corajoso dos guerreiros:
_ Garota, eu posso lutar na escuridão, porque minha vida é para a escuridão, minha alma é do inferno e meus olhos vêem tudo. Mas... Será que você pode lutar na escuridão? Será que sua alma é capaz de não se desesperar? Será que seu coração não vai bater tão alto, que eu vou te achar? Você é capaz de lutar na escuridão, garota? Você é capaz? Você é?
Não, ela não era. Evidente, ela não respondeu; porém, ela não estava preparada para isso. E, a prova? Fácil: Emanuel lançou:
_ [Magia Paralisante!]
E o golpe atingiu o alvo, que nem conseguiu se mover para evitar.
Então, na escuridão, algo ficou claro, muito claro para Mary: a cara de Emanuel. E... Aquela cara era assustadora! Muito assustadora!
_ Agora, garota, eu te torturo... Depois, você implora para morrer e, aí, se eu estiver feliz, se eu for misericordioso, eu te mato; senão, eu continuo a tortura.
_ Lisandra virá... _ Foi tudo o que Mary conseguiu dizer. _ Eu confio nela... Ela virá para me salvar.
_ Sério? _ Emanuel zombou. _ Bom, então, eu vou torturar você lentamente e, vamos ver se você agüenta até ela vir, então. Prepare-se!
Após um tempo de silêncio, o tirano lançou:
_ [Magia da tortura da alma!]
Incrível. A dor que Mary sentiu era tão grande, que nenhuma palavra podia explicar, nenhum número positivamente infinito podia mensurar. A dor era gigantesca! Mary era orgulhosa e forte, mas nada disso importou: ela gritou... De dor. Não uma dor física, mas sim uma dor na alma. O espírito dela era torturado por aquela magia. E, após 5 segundos, que pareceram 5 bilhões de anos, a tortura parou. O tirano questionou:
_ Divertido, não é? O que você achou?
Mas a mulher não conseguiu responder nada. O ditador, porém, conseguia falar, e muito bem:
_ Bom, talvez nós possamos fazer uma troca... Você me diz seu nome, e eu te dou 5 minutos para se recuperar...
Agora que Mary pensava bem, não era um mau negócio. Contudo, ela tinha que saber:
_ Por... Por que... Você... Quer saber?
_ Vamos, garota! Seja inteligente! Eu sou um ditador, sou chamado de demônio, mas sou educado. Gosto de saber o nome das pessoas que torturo e mato,... Porque... Bem, eu escrevo o nome de cada um que matei no quadro que tenho na minha sala de visitas. Se eu puder, eu também tiro uma foto... A sua foto eu já tirei, agora me falta seu nome. Além do mais, você já sabe o meu nome... É só justo que eu saiba o seu, você não acha?
_ M... Meu... Meu nome... É... Mary.
_ Oh! Mary... É um nome bonito, sabe? Aliás, você é uma garota bonita... Não, não me entenda mal, eu não tenho interesse nenhum em você. Sou casado, e muito bem casado! Mas, você é uma garota bonita... Eu teria muito orgulho de você, se eu fosse seu pai... Ou seu irmão. Sabe? Você não deveria estar aqui... Você não tem experiência em guerras, você não é tão poderosa assim... Tudo o que você tem é uma lealdade cega para Lisandra Sólen. O porquê eu não sei, mas, deixe-me dizer isto: essa lealdade não vai ser suficiente para você ganhar batalhas em uma guerra... Você precisa de muito mais. Essa lealdade cega, Mary, só conduzirá você à morte. Bom, como eu prometi, você tem 5 minutos para se recuperar. Mas, claro, enquanto eu espero, eu me divirto.
Então, Emanuel foi lançando a “Magia da Morte” nos soldados do CONFEIT, que nada podiam fazer, a não ser, claro, caírem mortos no chão.
Quando você não quer, o tempo voa, não é assim? Pois foi assim para Mary. Os 5 minutos voaram e, logo, Emanuel estava na frente dela. Ela não estava muito melhor que antes... Ainda estava paralisada e, muito mal. Não havia nenhum ferimento físico, mas, a mente da garota não estava muito bem. Emanuel ficou novamente frente-a-frente com Mary e disse:
_ Bom, eu já acabei com a sua mente... Agora é hora de cuidar do seu físico. É realmente uma pena ter que machucar esse corpinho bonito, mas, guerra é guerra, não é? Sem ressentimentos... Mas,... Vamos lá.
O tirano de Demnian desenhou no ar uma figura plana de dez lados, paralela ao chão. Em seguida, ele desenhou um corpo dentro dessa figura. Então, ele fez um risco que atravessava o corpo, dividindo-o ao meio. Por fim, ele lançou:
_ [Magia da tortura do corpo!]
Um raio saiu da mão de Emanuel e foi em direção de Mary. Todavia, um escudo dourado apareceu na frente da mulher, interrompendo o caminho da magia e a absorvendo. Nesse momento, a escuridão foi dissipada e o campo de batalha ficou cheio de luz. Mais soldados do CONFEIT apareceram, trazidos por Catarina. E, no ar, apareceu a esperança de vitória do CONFEIT, a “garota prodígio”, Lisandra Sólen. Vários raios de luz saíram das mãos dela e atingiram os soldados de Demnian, que simplesmente evaporavam no ar ao serem atingidos. E, quando Lisandra Sólen tocou os pés no chão, todos sabiam que a vitória era dela. Por quê? Simples: porque ela carregava a vitória dentro de si.
_ Emanuel Demoni... É realmente um prazer encontrar você cara-a-cara, pela primeira vez. _ Lisandra falou.
_ Lisandra Sólen... A “garota prodígio”... É uma pena que eu não possa dizer o mesmo. _ O ditador respondeu.
Lisandra sorria, quando disse:
_ Por que não, Emanuel?
_ Por que eu não me sinto feliz por encontrar você.
_ Oh... Que pena! Eu me sinto tão feliz!
_ Eu não imaginava que você era sarcástica, Lisandra Sólen...
_ Mas eu não sou, Emanuel. Estou realmente feliz. Afinal, hoje eu posso tirar a sua vida ridícula e acabar com essa loucura.
_ Você vai tirar a minha vida? Hahahahahahaha! Os líderes do Conselho de Sábios do CONFEIT não têm capacidade pra isso! Vocês são muito pacifistas... Uma lástima, realmente. Afinal, vocês são tão poderosos! E, não usam o poder... Triste, não é?
_ Ah, Emanuel... Você vai descobrir rapidinho que eu sou diferente dos meus antecessores. Eu estou preparada para você, Emanuel, mas você não está preparado para mim. Veja... Muitas pessoas escaparam do seu reino... Muitos daqueles que você queriam matar escaparam Por outro lado, ninguém que eu quis matar escapou... E eu matei bem mais pessoas que você. Mas, claro, eu não gosto de mostrar esse lado meu... Esse lado eu escondo, guardo para pessoas como você. Percebe agora? Eu sei tudo sobre você, enquanto você só sabe o que todo mundo sabe, o que eu quero que as pessoas saibam... Então, como espera me vencer?
_ Você está mentindo. Está tentando me assustar. Mas, não funciona.
_ Não importa... Acredite você ou não, você vai experimentar por conta própria. Mas... Se você me subestimasse menos, seria bem mais divertido... Para mim, é claro.
_ Chega de falar! Quero ver do que você é capaz, garota!
_ Bom, vamos ver se você é digno...
_ O quê? Eu vou lhe mostrar! [Magia da morte!]
_ É tudo o que você tem? _ Questionou Lisandra, desviando-se preguiçosamente do feitiço.
_ [Magia da morte!]
_ Ei! Sua pontaria é horrível! _ A garota prodígio zombou, desviando-se de novo do feitiço.
_ [Ondas mágicas!]
_ [Reflexão!] _ Contra-atacou a líder do Conselho de Sábios.
E Emanuel criou novamente a prancha e surfou a onda. Porém, uma onda vinda de trás o atingiu, derrubando-o da prancha e jogando-o na direção de Lisandra. Ela aproveitou isso e se lançou contra Emanuel, acertando-o com muitos potentes socos. O Ditador de Demnian não entendeu...
_ Como? _ Ele murmurou.
_ Emanuel, eu pensei que você entendesse de magia... _ Lisandra falou, de maneira zombeteira. _ Você vê... As palavras são importantes para se lançar um feitiço, porque as palavras te fazem concentrar no que você está fazendo, além de dar mais força ao feitiço... Aquilo que as pessoas dizem... Que as palavras têm poder... É verdade. Os gestos de mãos não dão força ao feitiço, mas fazem você se concentrar nele... Entretanto, tanto os gestos de mão quanto as palavras são dispensáveis. Se você tiver a concentração necessária e muita vontade, você pode lançar feitiços sem fazer nenhum gesto de mão e sem dizer sequer uma palavra. E... Foi o que eu fiz. Eu lancei uma onda mágica que atingiu suas costas... E você nem percebeu. Você é desatento demais, sabe?
_ O quê? _ Emanuel esbravejou. _ Eu vou matar você!
_ Sério? Bom... Por que você não torna suas palavras verdadeiras? Por que você não age, em vez de só ficar falando?
_ [Magia da morte!]
_ Eu já disse que você não vai me derrotar com isso! _ Lisandra falou, após se desviar do feitiço.
Emanuel, então, desenhou um círculo vertical ao plano do chão; em seguida, ele desenhou um corpo pontilhado dentro desse círculo; depois, ele desenhou uma linha dividindo esse corpo ao meio. Por fim, ele lançou:
_ [Magia da tortura da alma!] _ E um raio incolor se dirigiu na direção da “garota prodígio”.
Lisandra Sólen desenhou um espelho perpendicular ao plano do chão na frente dela e enunciou:
_ [Vidate!]
Então, um espelho apareceu na frente da menina, refletindo o raio lançado por Emanuel de volta para o ditador de Demnian. O tirano se desviou para a direita, no exato lugar onde a líder do Conselho de Sábios lançou:
_ [Concatenae!]
Mas Emanuel conseguiu saltar, deixando as cordas mágicas passar por baixo dele. Ainda no ar, ele se jogou para a esquerda, a fim de evitar outro feitiço:
_ [Magia do sono!]
Então, ele atrasou e moveu sua mão rapidamente, desenhando um círculo perpendicular ao chão e colorindo esse círculo. Então, o tirano enunciou:
_ [Magia do escudo dourado!]
E foi bom que ele fez isso, porque Lisandra havia lançado, na sua direção:
_ [Magia da desossa!]
O raio vermelho lançado por Lisandra se dividiu em vários martelos e todos foram na direção de Emanuel, mas, foram todos barrados pelo escudo dourado circular que apareceu na frente do ditador de Demnian.
Emanuel, cansado de ficar na defensiva, transformou-se em energia e desapareceu, transformando-se novamente em matéria atrás de Lisandra. Rapidamente, o tirano desenhou um triângulo paralelo ao plano do chão, ressaltou os vértices do triângulo com um ponto e marcou o centro do triângulo. Ele concluiu enunciando:
_ [Magia do Triângulo do Inferno!]
Então, um triângulo de fogo apareceu no ar e se dirigiu contra a garota prodígio. Porém, quando o feitiço ia atingir a menina, ela desapareceu (usando a mesma técnica utilizada por Emanuel), reaparecendo atrás dele e lhe aplicando uma série de socos e chutes que lançaram o tirano no ar. Então, Lisandra saltou, acima de Emanuel, aplicando-lhe um potente soco na barriga. Emanuel bateu no chão, muito forte.
Mas ele não seria derrotado tão facilmente. Levantando-se, o ditador lançou:
_ [Magia da desossa!]
_ [Vidate!] _ Rebateu a garota prodígio.
_ [Magia do Escudo Dourado!] _ Emanuel teve que se proteger do seu próprio feitiço e voltou a ficar na defensiva.
_ [Martelos Mágicos!]
_ [Magia do Escudo de Prata!]
_ [Magia Elétrica!]
_ [Magia do Escudo de Ar!]
_ [Ondas Mágicas!]
_ [Reflexão!]
_ [Tsunami de magia!]
E esse último ataque de Lisandra, Emanuel não conseguiu evitar. Então, ele tentou surfar o tsunami, com uma prancha de energia que ele criou. Porém, um outro tsunami o atingiu por trás, jogando-o contra Lisandra, a qual estava preparada e aplicou ao seu inimigo vários potentes socos e chutes, além de um feitiço muito bem colocado:
_ [Magia da desossa!]
Emanuel se protegeu com os braços e, quando a magia lhe atingiu, todos os ossos dos seus braços foram quebrados. Em seguida, Emanuel foi jogado ao chão, após ser atingido por outro feitiço de Lisandra:
_ [Tsunami de magia!]
O tirano estava no chão, meio tonto. Lisandra disse:
_ Se isso é tudo o que você tem, Emanuel, eu estou decepcionada. ... Bom, acabou, então. [Magia da morte!]
Porém, quando a magia ia atingir o ditador, uma estátua apareceu do nada na frente do tirano, recebendo o feitiço em vez dele e se despedaçando toda. Então, um homem apareceu na frente de Emanuel e disse:
_ Eu não permitirei que você mate o meu senhor!
_ Ah, Gonzalo... _ Lisandra falou, calmamente. _ Eu me perguntava quando você ia interferir.
_ Como...? Como você sabe o meu nome? _ Questionou o empregado mais fiel do tirano de Demnian.
_ Eu sei muitas coisas, Gonzalo... E, o que eu não sei, sua mente me conta.
_ O... O quê? Minha Mente? _ Questionou Gonzalo, assustado.
_ Sim, sua mente. Eu posso ler a sua mente... Tudo pra mim é claro, tão claro quanto a luz do dia.
Emanuel, que havia recebido e tomado uma poção de cura, ergueu-se do chão e exclamou, admirado:
_ Oh! O Yank...
_ Yank? _ Gonzalo sussurrou, sem entender.
_ Sim... _ Emanuel respondeu. _ O Yank... Uma herança da família Demoni... Uma herança que eu não posso usar... Nem minhas irmãs podem... Nós não temos a força necessária...
_ Mas, mestre, o senhor é tão forte!
_ Sim, Gonzalo, eu sou... Mas o Yank só pode ser usado por alguém que controla pelo menos 95% da capacidade cerebral, e... Eu só controlo 80%. Mas... Lisandra não tem esse problema... O que eu não esperava era que ela usaria essa herança de sangue, já que ela nega tanto pertencer à família Demoni...
_ Essa garota... Ela pertence à sua família, majestade?
_ Oh, sim, ela pertence. Mas, claro, ela decidiu não carregar nosso sobrenome... Problemas com a mãe, eu penso... Coisas de crianças, sabe?
_ Yank... _ Lisandra interveio na conversa... _ Yank, em Amazon, significa conhecimento. O Yank é uma herança magnífica. Ele me permite fazer sugestões a qualquer mente de ser vivo, não importa se é de um humano ou de outros animais... Eu posso extrair a verdade de todos, posso sugerir às mentes de meus inimigos que me digam o que vão fazer, ou que me digam qualquer segredo que eles escondem, mesmo os mais profundos... É só saber perguntar e, a resposta me vem. Legal, vocês não acham?
_ Ah, sim, é incrível! _ Emanuel concordou. _ É uma pena que você se negue pertencer à família Demoni... É realmente uma pena.
_ Uma família, Emanuel, não é conectada pelo sangue, mas sim pelo amor... É o amor que liga os membros de um agregado familiar, o sangue não faz nada.
_ Ah... Amor... Essa é uma palavra em que eu não acredito.
_ Sério? Você não ama seus filhos? Você não ama sua esposa?
_ Eu digo que a amo, porque isso a agrada. Mas eu não acredito no amor... Tudo o que existe no mundo são interesses... Isso é que mantém as pessoas unidas... Interesse. O “amor”, como você conhece, é só mais uma forma pela qual o interesse se manifesta.
_ Ah, Emanuel... Você está tão errado! O amor é a força que mantém um morto vivo, é a força que provoca o nascimento e promove a renovação da vida... O amor é a magia mais poderosa que existe e também a força mais avassaladora. Se você não tem amor, você jamais poderá vencer essa guerra.
_ Você acredita mesmo nisso? Acha mesmo que um sentimento tão mesquinho quanto o amor pode trazer a vitória?
_ Ah, sim, claro! O amor não só traz a vitória... Ele nos traz diversas outras coisas, muitas delas nós nem sabemos colocar em palavras... Muitas delas nem podem ser medidas em números, porque não há números positivamente infinitos capazes de medir essas coisas.
_ Bom, se você acredita tanto assim no amor, vamos ver se ele te conduz à vitória!
_ Sim, ele me conduzirá: esteja certo disso. Afinal, o amor é capaz de transformar mesmo anjos em demônios, e demônios em anjos. Bom, acho que continuar conversando não nos levará a lugar nenhum, correto?
_ Sim, você está certa... Conversar não vai adiantar.
_ Então, vamos continuar a batalha!
_ Vamos nessa! [Magia da...]
_ [Eclaire!] _ Lisandra enunciou, antes que Emanuel tivesse tempo de lançar a magia que ele pretendia.
E, quando ela atacou, o tirano foi obrigado a fechar seus olhos, porque uma luz fortíssima invadiu o campo de batalha, cegando tanto o ditador quanto seu escudeiro.
Então, uma voz veio, aparentemente vinda de todo o campo de batalha onde acontecia o combate entre Lisandra, Emanuel e Gonzalo...:
_ A energia mágica é um tipo de energia especial... Ela está em todos os lugares, em todo o cosmos... A energia mágica está mesmo nos outros tipos de energia, ela se mistura a tudo, porque ela é o tipo de energia que dá o brilho e gera a vida... A energia mágica está em tudo, mas apenas algumas criaturas têm o poder de controlá-la. Alguns poucos animais considerados irracionais e, algumas espécies de animais racionais... Aqui na Terra, atualmente, todos os seres humanos têm o potencial para ter a capacidade de controlar a energia mágica... Mas, claro, apenas aqueles que podem usar 80% ou mais de sua capacidade cerebral podem realmente controlar esse tipo de energia... Isso, porque só essas pessoas podem controlar eficazmente a energia interna de seus corpos. E, se a energia mágica está misturada dentro dessa energia interna e os seres humanos têm os genes que permitem separar e controlar a energia mágica, todos os seres humanos terrestres que podem usar 80% ou mais de suas capacidades cerebrais podem controlar a energia mágica. Mas, repare: eles só podem controlar a energia mágica, porque podem, antes, controlar eficazmente suas energias internas. E isso é o que poucos feiticeiros lembram... A energia mágica é o que nos permite lançar feitiços e encantamentos, bem como fazer nossos rituais. Porém, a energia interna pura nos permite fazer técnicas e invocações... Mas poucos sabem disso... Poucos usam isso. Na verdade, apenas os guerreiros usam isso. Você, Emanuel, assim como eu, é um guerreiro; mas, Gonzalo não é. Então... Que tal elevar o nível desta batalha?
_ Por mim ótimo! _ Emanuel concordou, entusiasta.
_ Entretanto, para isso, eu preciso jogar o lixo num canto, não é?
_ Como assim?
_ Estou falando do seu empregado... Gonzalo... Ele não é um guerreiro... Então, é melhor se ele ficar fora disso... Você não acha?
_ O quê?
_ [Concatenae!]
E, então, finalmente, Emanuel e Gonzalo puderam abrir os olhos, porque a luz desapareceu e o campo de batalha voltou ao normal. E, quando abriram os olhos, perceberam uma coisa: Gonzalo estava totalmente amarrado por cordas mágicas muito poderosas, as cordas mágicas mais fortes que existem. E Lisandra estava de frente para Emanuel, pronta para o combate. Ela questionou:
_ E então? Pronto para continuar nossa luta, Emanuel?
O tirano pensou:
_ “Ela está sorrindo... Parece que ela é mais sábia que eu, no entanto ela é tão jovem! Como ela faz essa expressão de sabedoria? Como ela pode estar tão confiante? Como ela pode estar sorrindo, num momento como este? Eu não entendo!”.
E respondeu:
_ Muito bem, vamos lá!
E, com isso, Lisandra começou. A garota prodígio desenhou um hexágono no ar, paralelo ao plano do chão, com um dragão dentro, e enunciou:
_ [Técnica elementar, fogo: explosão de brasas!]
O ditador rapidamente fez seus próprios gestos de mãos. Ele desenhou um círculo paralelo ao plano do chão, com um tubarão dentro. Por fim, ele enunciou:
_ [Técnica elementar, água: esfera protetora de gelo!]
E, enquanto uma onda de brasas muito quentes saiu das mãos de Lisandra e voou na direção de Emanuel, o tirano flutuou no ar e foi protegido por uma esfera de gelo. Quando a explosão de brasas atingiu a esfera de gelo, as brasas perderam totalmente a força, mas o gelo se evaporou todo.
Claro, Lisandra não perdeu tempo. A garota prodígio desenhou um retângulo inclinado 80 graus ao plano do chão e, dentro do retângulo, um tubarão. Em seguida, ela enunciou:
_ [Técnica elementar, água: ataque da grande cachoeira mortal!]
Emanuel desenhou um grande quadrado na frente de seu corpo, perpendicular ao plano do chão; dentro do quadrado, ele desenhou um enorme dragão. Em seguida, ele enunciou:
_ [Técnica elementar, fogo: escudo maciço de fogo!]
Com isso, uma grande cachoeira se formou nas mãos da líder do Conselho de Sábios do CONFEIT e voou violentamente na direção do governante de Demnian; na mesma hora, uma gigantesca e poderosa barreira de fogo, maciça e quadrada, formou-se na frente dele. Quando a cachoeira bateu no grande escudo de fogo, duas coisas aconteceram: uma, a cachoeira evaporou, totalmente; duas, o escudo de f

 

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